ARNICA

SINÓNIMOS:

LATIM: Arnica Montana;

ALEMÃO: Arnika;

ESPANHOL, FRANÇÊS E  ITALIANO: Arnica.

FAMILIA: compostas

HABITAT: vulgar em Portugal, acima dos 800 metros de altitude, surge pelos bosques e pastos da Europa central e meridional, preferindo os solos descalcificados.

DESCRIÇÃO: sem dúvida uma planta das mais formosas das montanhas e muito popular em todo o mundo, a arnica é uma erva vivaz com cerca de dois palmos de altura, com um talo floral curto e encorpado, pouco ramificado, em cuja base se forma uma roseta de folhas lanceoladas, ásperas e erectas. As flores têm brácteas pontiagudas e uma coloração amarela viva. Os frutos, aquénios com 4 a 5 mm, exibem uma cor pardacenta. Floresce a partir de Junho, mas a espécie “Arnica atlântica”- também muito frequente na orla litoral portuguesa – começa a florescer já em Abril. 

COMPOSIÇÃO QUIMICA: A actividade farmacológica da arnica é atribuída principalmente à sua essência, presente nas flores e no rizoma curto e corpulento, e a uma substância de complexa estrutura- a arnicina. A essência em referência contém 80% de éter dimetílico de timolidroquinona e 20% de éster isobutírico de florol (um derivado fenólico), assim como quantidades imponderáveis de éter florilmetílico. A citada arnicina reside nas flores em 4% e em menor quantidade no rizoma, sendo responsável pela sua acção rubefaciente. 

PROPRIEDADES: planta de tão flagrante actividade e tão vulgarizada, a arnica foi, paradoxalmente, ignorada pelos médicos da antiguidade, talvez por estar ausente da flora mediterrânea. Nem mesmo Dioscórides a cita na sua Matéria Médica e só na Idade média se começou a adoptar o seu uso na Europa central como planta medicinal. Diz-se que Goethe, por exemplo, recorria a gotas de arnica para fortalecer o coração e, em França, fumava-se em cachimbo ou aspirava-se como rapé, motivo porque chegou a ser conhecida como tabaco da Sabóia. Presentemente, subsiste o reconhecimento de uma acção activadora circulatória sobre a pele e da propriedade tonificante do coração, similar à exercida pela convalária e pela dedaleira. Recomenda-se, no entanto, apenas a sua aplicação tópica devido à sua toxicidade, podendo originar vómitos, vertigens e alucinações, levando à morte quando ingerida em excesso. Leclerc adverte que a tintura de arnica é excelente remédio, com a condição de a saber utilizar convenientemente diluída, para evitar erupções erisipelatosas.

APRESENTAÇÃO: apresenta-se habitualmente sob as formas galénicas de extracto fluido, tintura e pomada.

POSOLOGIA: mediante prescrição médica ou 20 gotas de tintura para adultos.